A Liturgia na era das relações práticas
Por João Batista Passos
Membro do Apostolado Sociedade Católica
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Para citar:
PASSOS, João Batista:"A Liturgia na era das relações práticas" Disponível em Apostolado Sociedade Católica: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=644 Desde 28/07/2010
Membro do Apostolado Sociedade Católica
Quais são as principais características de nossos tempos atuais? Variáveis complexas o moldam, algumas são irremediavelmente previsíveis e destas, muitas são realmente lamentáveis. Vivemos num mundo onde o pensamento humano tomou a volatilidade de uma gelatina sem sabor.
Tudo precisa ser diminuído em seu sentido, precisa ser "facilitado", precisa se tornar algo meramente prático, onde a riqueza íntima das nossas realizações foram destituídas, e tudo se tornou meramente forma, formalidade, muitas vezes vazias, insossas, as formalidades necessitaram se tornarem em formalidades informais.
A destituição do sentido do "por quê", do "para quê" transformaram o cotidiano de nossas vidas em um caminhar destituído de poesia, de calor, de sentido. As reuniões familiares, as festas, cerimônias de formaturas, admissões, demissões, tudo se volta pelo lado prático, rápido.
Vamos perceber o quanto estamos distantes de nossos amigos, de nossos parentes. Ou seja, as formalidades desprovidas de um sentido mais profundo alcançam também o ritmo de nossas vidas, mudam as nossas vidas, que também parece se tornar uma mera e inevitável formalidade a cumprir, sem rumo, sem destino certo.
Disse estas coisas para me direcionar ao que eu realmente desejo tratar neste artigo. Infelizmente, a instituição do sentido prático e muitas vezes desprovidos de um sentido maior das nossas relações, chegou aos ambientes de muitas de nossas paróquias. Tanto as relações entre as pessoas como as relações do homem com Deus sofreram esta influência do sentido prático das relações. Entre estas relações práticas, não podemos negar que há algo de que hodiernamente possa nos ser realmente útil e que podem ser, com os devidos cuidados, absorvidas sim em nossas relações.
Quais seriam estes cuidados das relações práticas entre as pessoas ou até mesmo entre nós e Deus? O cuidado é não desprover o sentido próprio da existência humana. Manter o sentido do por que e do para que, manter as intenções de proximidade real e afetuosa, do comungar e do dividir, do sofrer juntos, enfim, resultar em uma aproximação cada vez mais compreensiva dos sentimentos do nosso próximo e também de maior comprometimento. Sendo uma das características das relações práticas, ao melhor estilo “fast-food”, a nossa falta de tempo, ou melhor, da nossa falta de querer melhor organizar o nosso tempo.
Estamos limitados demais a um sentimento de que não podemos “perder” tempo com coisas de “menores” valores e que devemos pensar mais na constituição de nosso tempo em algo que seja de fato relevante ao meu eu, ao que devo cultivar para que me dê realmente segurança para que eu viva o meu próprio tempo. E lá se vai muitas coisas boas e cheias de sentido por água abaixo e nem percebemos, pois o meu tempo não pode ser gasto com tais coisas, mesmo que boas e saborosas, não me revertem nenhuma real segurança.
Até este texto deveria ser ao estilo “fast-food”, rápido e prático, porém, noto que neste momento parece que estou revertendo o meu tempo em pensar no por que e no para que das coisas, mesmo que de forma simplória, pois não sou nenhum filósofo, sábio ou mestre. Mas para convertermos um pouco isso, vamos direto ao assunto que propomos, que é sobre as relações práticas na Liturgia.
Em alguns ambientes, a Liturgia passou a ser vista como uma relação que deva ser prática, direta. Nada de mal nisso, porém, o mal peculiar deste modo é o esvaziamento do sentido próprio da Liturgia, que é a relação íntima entre o homem e Deus. Não deixamos Deus falar, falamos a Deus de forma rápida, apressada, o silêncio seria uma destas características boas e saborosas que perderam a sua “utilidade” prática e por isso foi quase que erradicado das celebrações.
As celebrações contém músicas demais, agitação demais, instrumentos demais, exageram na quantidade das palavras, já não ouvimos o Sacerdote rezar, pois rapidamente, rezamos com ele e o nosso amém some, passa despercebido, àquelas palavras que deveríamos cuidadosamente apenas ouvir, as dizemos.
O “amém” da assembléia parece ter perdido a sua grandeza, ou mesmo a assembléia perdido a sensibilidade da riqueza do “assim seja”. Investir na sensibilidade dos cristãos para os Santos Mistérios da nossa Fé é algo mais apropriado do que investir no sentimentalismo vazio, em teatrinhos e personagens que não deveriam nunca estar na celebração do Santo Mistério Eucarístico.
Investir na sensibilidade é dar oportunidade dos fiéis sentirem o que se passa, deixar que o coração ouça mais do que aos ouvidos e que descubram que a Sagrada Liturgia não é uma reunião onde apenas exprimimos a nossa Fé, mas que saibamos sentir a presença do Deus que se faz presente entre nós, inteiramente Deus e inteiramente presente.
Deixar que sintamos o que Deus nos quer dizer, não apenas através das palavras audíveis, mas por aquilo que Ele deseja em nós despertar, em nosso coração através do silêncio. Revalorizar o verdadeiro sentido da Liturgia na era das relações práticas é fazer com que na simplicidade e nas riquezas presentes na Liturgia venham a nos dar a verdadeira segurança (a segurança que somente Deus pode nos proporcionar), que realmente alimente a nossa Fé e que a nossa Fé possa nos alimentar verdadeiramente, conduzindo-nos ao que mais nos alegra, a presença de Deus em nossa vida, a presença de Deus nos santos altares de sua Igreja.
A destituição do sentido do "por quê", do "para quê" transformaram o cotidiano de nossas vidas em um caminhar destituído de poesia, de calor, de sentido. As reuniões familiares, as festas, cerimônias de formaturas, admissões, demissões, tudo se volta pelo lado prático, rápido.
Vamos perceber o quanto estamos distantes de nossos amigos, de nossos parentes. Ou seja, as formalidades desprovidas de um sentido mais profundo alcançam também o ritmo de nossas vidas, mudam as nossas vidas, que também parece se tornar uma mera e inevitável formalidade a cumprir, sem rumo, sem destino certo.
Disse estas coisas para me direcionar ao que eu realmente desejo tratar neste artigo. Infelizmente, a instituição do sentido prático e muitas vezes desprovidos de um sentido maior das nossas relações, chegou aos ambientes de muitas de nossas paróquias. Tanto as relações entre as pessoas como as relações do homem com Deus sofreram esta influência do sentido prático das relações. Entre estas relações práticas, não podemos negar que há algo de que hodiernamente possa nos ser realmente útil e que podem ser, com os devidos cuidados, absorvidas sim em nossas relações.
Quais seriam estes cuidados das relações práticas entre as pessoas ou até mesmo entre nós e Deus? O cuidado é não desprover o sentido próprio da existência humana. Manter o sentido do por que e do para que, manter as intenções de proximidade real e afetuosa, do comungar e do dividir, do sofrer juntos, enfim, resultar em uma aproximação cada vez mais compreensiva dos sentimentos do nosso próximo e também de maior comprometimento. Sendo uma das características das relações práticas, ao melhor estilo “fast-food”, a nossa falta de tempo, ou melhor, da nossa falta de querer melhor organizar o nosso tempo.
Estamos limitados demais a um sentimento de que não podemos “perder” tempo com coisas de “menores” valores e que devemos pensar mais na constituição de nosso tempo em algo que seja de fato relevante ao meu eu, ao que devo cultivar para que me dê realmente segurança para que eu viva o meu próprio tempo. E lá se vai muitas coisas boas e cheias de sentido por água abaixo e nem percebemos, pois o meu tempo não pode ser gasto com tais coisas, mesmo que boas e saborosas, não me revertem nenhuma real segurança.
Até este texto deveria ser ao estilo “fast-food”, rápido e prático, porém, noto que neste momento parece que estou revertendo o meu tempo em pensar no por que e no para que das coisas, mesmo que de forma simplória, pois não sou nenhum filósofo, sábio ou mestre. Mas para convertermos um pouco isso, vamos direto ao assunto que propomos, que é sobre as relações práticas na Liturgia.
Em alguns ambientes, a Liturgia passou a ser vista como uma relação que deva ser prática, direta. Nada de mal nisso, porém, o mal peculiar deste modo é o esvaziamento do sentido próprio da Liturgia, que é a relação íntima entre o homem e Deus. Não deixamos Deus falar, falamos a Deus de forma rápida, apressada, o silêncio seria uma destas características boas e saborosas que perderam a sua “utilidade” prática e por isso foi quase que erradicado das celebrações.
As celebrações contém músicas demais, agitação demais, instrumentos demais, exageram na quantidade das palavras, já não ouvimos o Sacerdote rezar, pois rapidamente, rezamos com ele e o nosso amém some, passa despercebido, àquelas palavras que deveríamos cuidadosamente apenas ouvir, as dizemos.
O “amém” da assembléia parece ter perdido a sua grandeza, ou mesmo a assembléia perdido a sensibilidade da riqueza do “assim seja”. Investir na sensibilidade dos cristãos para os Santos Mistérios da nossa Fé é algo mais apropriado do que investir no sentimentalismo vazio, em teatrinhos e personagens que não deveriam nunca estar na celebração do Santo Mistério Eucarístico.
Investir na sensibilidade é dar oportunidade dos fiéis sentirem o que se passa, deixar que o coração ouça mais do que aos ouvidos e que descubram que a Sagrada Liturgia não é uma reunião onde apenas exprimimos a nossa Fé, mas que saibamos sentir a presença do Deus que se faz presente entre nós, inteiramente Deus e inteiramente presente.
Deixar que sintamos o que Deus nos quer dizer, não apenas através das palavras audíveis, mas por aquilo que Ele deseja em nós despertar, em nosso coração através do silêncio. Revalorizar o verdadeiro sentido da Liturgia na era das relações práticas é fazer com que na simplicidade e nas riquezas presentes na Liturgia venham a nos dar a verdadeira segurança (a segurança que somente Deus pode nos proporcionar), que realmente alimente a nossa Fé e que a nossa Fé possa nos alimentar verdadeiramente, conduzindo-nos ao que mais nos alegra, a presença de Deus em nossa vida, a presença de Deus nos santos altares de sua Igreja.
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PASSOS, João Batista:"A Liturgia na era das relações práticas" Disponível em Apostolado Sociedade Católica: http://www.sociedadecatolica.com.br/modules/smartsection/item.php?itemid=644 Desde 28/07/2010








